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Lições de Susan Boyle
*por Tom Coelho
“Duvidar de tudo ou acreditar em tudo
são duas soluções igualmente convenientes;
ambas dispensam a necessidade de reflexão.”
(Henri Poincaré)
É muito provável que você tenha ouvido falar de Susan Boyle. Trata-se de uma senhora escocesa que virou celebridade mundial após apresentar-se num programa de calouros na Inglaterra. De aparência descuidada, foi inicialmente menosprezada e ridicularizada pelo júri e a plateia até entoar de forma admirável, por alguns minutos, trecho de um musical, com direito a lágrimas e aplausos.
Em tempos de internet, o vídeo de sua apresentação correu o mundo, sendo acessado mais de 100 milhões de vezes ao longo de duas semanas. Ganhou verbete na Wikipédia, entrevistas em talk shows, contrato para gravação de um CD e cerca de 30 milhões de links no Google.
O sucesso ofuscou caso idêntico ocorrido dois anos antes, no mesmo programa, com o galês Paul Potts, que em circunstâncias similares cantou uma ária de ópera, sagrando-se posteriormente vencedor daquela edição da competição.
Ambos os episódios nos legam alguns ensinamentos e reflexões. Em princípio, sobre a necessidade singular de críticos em aplicar rótulos. Assim, houve quem se emocionasse a ponto de eleger os cantores como exemplos de superação, por demonstrarem elevada resiliência ao suportar a animosidade inicial da plateia, encantando-os em seguida. Mas houve também quem qualificasse tudo como uma farsa, haja vista que os produtores já deveriam conhecer previamente a capacidade dos candidatos.
Do ponto de vista motivacional, os eventos são, sim, louváveis, pois o inconsciente coletivo ganha refúgio em cada um destes personagens por representarem uma aspiração social comum à maioria das pessoas diante da iniciativa de se expor, do enfrentamento do medo de falar em público, do receio de ser hostilizado, da confrontação da baixa auto-estima e, por fim, da conquista do reconhecimento.
Se formos tomar os eventos como produções forjadas para enaltecer os espectadores, mérito de seus organizadores por identificarem os talentos, dar-lhes a oportunidade, construírem um cenário favorável, agradarem os presentes e conseguirem uma exposição na mídia digna de inveja aos maiores comunicadores.
Todavia, que não se obscureça uma verdade irresoluta. Vivemos uma ditadura da imagem que age como um filtro na vida em sociedade. Continuamos a ser julgados pela embalagem antes mesmo de ser possível apresentar seu conteúdo. Esta é a regra, não a exceção, tanto que a própria Susan Boyle apareceu dias depois com visual repaginado, ostentando novo corte de cabelo e trajes bem alinhados.
Que fique uma última lição para o mundo empresarial. Não cabe a recomendação do “seja você mesmo, ainda que tenha um estilo excêntrico, sem se importar com o que pensam os demais”. Nos dias atuais, isso seria suicídio corporativo. Deve-se evitar, é claro, a perda da autenticidade, mas em termos de marketing pessoal, vale lembrar as palavras do publicitário Ckuck Lieppe que dizia: “Aparentar ter competência é tão importante quanto a própria competência”.
14/05/2009
Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros.
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br.
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dos textos, mencionado o autor e o site www.tomcoelho.com.br e comunicada
sua utilização através do e-mail talento@tomcoelho.com.br
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| Obs: O conteúdo dos comentários
a seguir são de inteira responsabilidade de seus respectivos
autores. |
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| Autor: Tom Coelho |
Comentário: Sr. Carlos Alberto, o artigo é claro: faz uma reflexão sobre o evento sob diversos prismas. Do ponto de vista do marketing, a ação foi certeira. Selecionar um fragmento para fazer juízo de valor é, em meu entender, uma decisão equivocada. Atc. |
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| Autor: Carlos Alberto Correia da Silv |
Comentário: Aqui passei por um raríssimo caso de gostar mais de um comentário, feito pelo Augusto Barbosa Lima, do que do texto do autor. Isto não significa que não tenha gostado do texto. Mas o comentário veio ao encontro das minhas reflexões. Com relação ao texto, discordo INTEGRALMENTE quando o autor diz aspas "Se formos tomar os eventos como produções forjadas para enaltecer os espectadores, mérito de seus organizadores por identificarem os talentos, dar-lhes a oportunidade, construírem um cenário favorável, agradarem os presentes e conseguirem uma exposição na mídia digna de inveja aos maiores comunicadores." Admite-se a hipótese de de fraudar, enganar e o autor diz que "mérito dos organizadores" ? Precisamos realmente nos educar, nos esclarecermos para que não haja espaço para artifícios como este. Mas enquanto isto não acontece, naõ creio que devemos aprovar ou aplaudir estas práticas.
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| Autor: Augusto Barbosa Lima |
Comentário: A aparência física, imagem com a qual nos apresentamos diante das pessoas, no meu entendimento, é uma questão de respeito para com as pessoas e de coerência com os ambientes.
Mas, nem tanto, ou nem para todos, ela deve ser levada ao pé da letra; desde que estejamos de corpo limpo e roupa limpa e inteira.
Veja o Sergio Groisman - em seu programa AÇÃO, aos sábados pela manhã na Rede Globo. Ele entrevista pessoas de alto valor, apresenta temas de igual valor e se veste como estivesse em casa. Vale o conteúdo do Sergio Groisman, pois, as pessoas que o assistem e as que ele apresenta não se preocupam com a embalagem; a elas interessa o conteúdo.
O mundo corporativo, mundo que deveria dar especial atenção à realidade, é o mundo onde mais hipocrisia há. Hipocrisia ou auto-engano?
Conheço muitos consultores e palestrantes de empresas que mal dão conta de desenhar o “O” com o fundo do copo, mas, que, mostrando uma excelente embalagem e apresentando competência, conseguem vender inutilidades aos seus clientes e espectadores. Estes; espertos. Seus clientes e espectadores; medíocres.
Isto me lembra uma entrevista que o Sr José Midlin concedeu certa vez. Perguntado sobre o escritor Paulo Coelho, ele disse que o Paulo Coelho está para a literatura assim como o Bispo Edir Macedo está para a religião.
O Henri Poincaré tem razão.
Tom,
Não estou ironizando-o. Estou refletindo.
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